São doze da noite e você está discutindo com alguém que dorme. Você ganha, além disso. Encontra a frase exata que não encontrou à tarde, a diz em voz baixa, e funciona perfeitamente contra ninguém.
Se você se reconhece, isso é sobre isso.
Repetir não é pensar
Pensar avança. Repetir gira. A diferença é fácil de notar: se ao final de meia hora você tem uma decisão, você estava pensando; se tem a mesma cena com um roteiro melhor, você estava girando.
E o que gira quase nunca é o que aconteceu. É o que você não disse.
De onde vem o material
Por trás de quase toda frase que fica dentro há uma pressão que vem de fora: alguém esperava algo de você, havia um tom que você não queria quebrar, havia um custo calculado em um segundo. Você disse o que mantinha a calma e guardou o resto.
Guardar faz sentido no momento. O problema é que não há onde guardar, então fica em circulação.
Por que a cabeça é o pior lugar para deixá-lo
Dentro, a frase não tem interlocutor e, portanto, não tem fim. Ninguém responde, ninguém nuance, ninguém diz "não disse isso por causa disso". Você pode dar vinte versões e nenhuma fecha, porque fechar precisa de outra pessoa ou precisa sair de você de alguma forma.
Por isso o que se cala não diminui com o tempo. Fica maior.
O que pode ser feito sem ter a conversa
Nem sempre é possível voltar e dizer. Às vezes a pessoa não está, ou já não é a hora, ou o custo continua sendo real.
O que pode ser feito é tirar do loop: nomear a pressão que havia, nomear a frase que ficou dentro, e ver qual das duas ainda pesa em você. Geralmente é a segunda, e costuma ser muito menor do que parecia quando vivia só na sua cabeça.
Esta semana no Tisbo
Esta semana o Tisbo olha para isso: a pressão que vem de fora e a frase que ficou dentro. Não há folha em branco nem precisa manter um diário. Você responde, e no final da semana ele te devolve o que viu.
