Sempre há algo novo, e sempre chega na hora certa
Há um momento muito específico que se repete: o que você estava fazendo começa a pedir constância em vez de entusiasmo. E justo aí aparece a nova ideia.
Não é coincidência nem má sorte. É que a nova ideia chega exatamente quando a anterior deixa de dar o que você considerava garantido, que era a sensação de estar começando algo.
Começar é o que você realmente faz bem. Os primeiros dias de qualquer coisa — um trabalho, um relacionamento, um projeto, um idioma — têm uma energia que você aproveita melhor do que quase ninguém. O problema não está aí. Está na sexta semana.
O tédio é a explicação confortável
A versão que você conta é que se entedia rápido. É uma boa explicação porque te deixa bem: significa que você tem mais capacidade do que paciência, que precisa de estímulo, que não foi feito para o pequeno.
Mas olhe a sequência novamente. Você não vai embora quando algo se torna entediante. Você vai um pouco antes: quando começa a pedir que você fique.
Essa distinção é tudo. Entediar-se é uma reação ao que está fora. Ir embora justo antes de te pedirem para ficar é uma decisão sobre o que está dentro.
O que se protege indo embora
Se você ficar, coisas acontecem que não controla. Alguém começa a contar com você. É perceptível se você fizer mal. Você não pode mais dizer que não tentou de verdade, porque estava tentando de verdade.
Ir embora a tempo evita tudo isso de uma vez. E ainda tem boa fama: ninguém te chama de covarde por começar algo novo. Te chamam de inquieto, curioso, livre.
Por isso funciona tão bem durante tantos anos. É uma fuga que de fora parece uma virtude, e de dentro se sente como uma.
O que não pesa também não sustenta
O custo não é visível no começo. No início, só se vê o ganho: você não arrasta nada, não deve nada a ninguém, pode mudar de vida em um mês.
Vê-se mais tarde, e de uma maneira muito pouco dramática. Um dia acontece algo e você precisa se apoiar em algo que está lá há anos. E descobre que tem escolhido coisas que não pesam, precisamente para não ter que carregá-las.
O que não pesa também não sustenta. É a mesma propriedade vista do outro lado.
Não é necessário que você fique em tudo. Há coisas que são deixadas por boas razões e essas não contam aqui. Mas vale a pena olhar uma: de tudo que você deixou, quanto você deixou porque já não servia, e quanto justo quando começava a te pedir algo?
E uma segunda, mais desconfortável: se agora mesmo há algo na sua vida nessa sexta semana, qual é?
